Investir para os filhos é um dos atos de amor mais concretos que um pai ou mãe pode fazer. Começar cedo — mesmo com valores pequenos — pode resultar em um patrimônio considerável quando a criança chegar à maioridade. Mas muitos pais têm dúvidas sobre como funciona legalmente e quais produtos são adequados.

A boa notícia é que o processo é mais simples do que parece. Em 2026, diversas corretoras e bancos digitais permitem abrir contas de investimento para menores de idade, com acesso a Tesouro Direto, CDB, fundos e até ações — tudo de forma segura e regulamentada.

Entender os produtos de renda fixa disponíveis é fundamental nesse processo. Se você ainda não conhece os principais instrumentos, o guia sobre como investir comparando poupança, CDB e Tesouro é um bom ponto de partida.

Por Que Começar a Investir para os Filhos Cedo?

O tempo é o maior aliado do investidor. O efeito dos juros compostos ao longo de 18 a 20 anos é transformador:

Aporte mensalPrazoTaxa anualResultado estimado
R$ 100/mês18 anos10% a.a.R$ 60.000
R$ 200/mês18 anos10% a.a.R$ 120.000
R$ 500/mês18 anos10% a.a.R$ 300.000
R$ 100/mês18 anos12% a.a.R$ 75.000

Mesmo R$ 100 por mês, aplicados de forma consistente desde o nascimento, podem gerar mais de R$ 60.000 em 18 anos — sem contar possíveis aumentos de aportes ao longo do tempo.

É Legal Investir para Menores de Idade?

Sim, completamente legal. A legislação brasileira permite que menores de idade tenham investimentos em nome próprio, desde que geridos pelos pais ou responsáveis legais. Funciona assim:

  • Menores de 16 anos: totalmente incapazes pela lei civil — os pais são representantes legais e assinam por eles
  • Entre 16 e 18 anos: relativamente incapazes — podem participar, mas precisam de assistência dos pais
  • Após 18 anos: o jovem assume a conta de forma autônoma

Na prática, os pais abrem a conta em nome do filho, assinando o contrato como representantes legais. O CPF da criança é necessário (qualquer bebê pode ter CPF gratuitamente na Receita Federal ou nos Correios).

Como Abrir Conta de Investimento para Menor de Idade

O processo varia de instituição para instituição, mas geralmente exige:

  1. CPF da criança: obter gratuitamente na Receita Federal online
  2. RG ou certidão de nascimento do menor
  3. Documentos dos pais/responsáveis: RG, CPF e comprovante de residência
  4. Abertura de conta: presencialmente ou pelo app (algumas corretoras aceitam 100% digital)

Corretoras e bancos que aceitam menores:

  • XP Investimentos (processo presencial ou via documentação enviada)
  • Rico (digital, com aceite de menores)
  • BTG Pactual
  • Nubank (a partir de 16 anos para conta própria; abaixo disso via processo específico)
  • Banco Inter (conta para menores com documentação dos pais)

Melhores Produtos para Investir para Filhos

1. Tesouro Direto (Tesouro IPCA+)

Para o longo prazo, o Tesouro IPCA+ é a estrela dos investimentos para filhos. Ele garante uma taxa real acima da inflação, protegendo o poder de compra do dinheiro ao longo de 10, 15 ou 20 anos.

Em março de 2026, o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2035 está pagando em torno de IPCA + 7,2% ao ano — uma taxa extraordinária para um investimento garantido pelo governo.

Ponto de atenção: o Tesouro IPCA+ tem marcação a mercado. Se precisar resgatar antes do vencimento, pode receber menos do que investiu. Por isso, é importante escolher um título com vencimento alinhado ao horizonte (ex: filho de 2 anos → título com vencimento em 2040 ou depois).

2. CDB de Banco Grande com Vencimento Longo

CDBs de bancos de primeira linha com prazo de 3 a 5 anos e taxa acima de 110% do CDI são uma boa alternativa à renda fixa de curto prazo. Para o objetivo de longo prazo, prefira títulos prefixados em períodos de Selic elevada, como agora.

A cobertura do FGC garante até R$ 250.000 por instituição, por CPF — o CPF do menor conta separadamente do CPF dos pais.

3. Fundos Multimercado ou de Renda Fixa

Para quem prefere praticidade, fundos de investimento são uma opção. Os pais fazem aportes regulares e o gestor cuida da alocação. Prefira fundos com:

  • Taxa de administração abaixo de 0,5% ao ano
  • Histórico consistente de pelo menos 5 anos
  • Política de investimento alinhada ao longo prazo

4. Ações de Empresas Sólidas (para horizontes acima de 10 anos)

Ações de grandes empresas pagadoras de dividendos — como Petrobras, Banco do Brasil, Itaú e Vale — em um horizonte de 15-20 anos historicamente superam a renda fixa. Para quem aceita um pouco mais de risco, alocar 20-30% em ações pode potencializar bastante os resultados.

Quanto Investir por Mês?

Não existe valor mínimo. O Tesouro Direto aceita aportes a partir de R$ 30. Com R$ 100 a R$ 300 mensais já é possível construir um patrimônio relevante em 18 anos.

A estratégia mais eficiente é o aporte mensal automático — programe a transferência no início de cada mês, logo que o salário cair. Assim, o investimento acontece antes de qualquer gasto e o hábito se consolida.

Cuidados com o Dinheiro do Filho

Um ponto importante: o dinheiro investido em nome do filho é patrimônio dele, não dos pais. Os responsáveis legais podem gerir os investimentos, mas tecnicamente não podem usar esses recursos para despesas próprias. Em casos extremos de desvio, há responsabilidade legal.

Isso é especialmente relevante em casos de separação do casal — os investimentos em nome do filho ficam fora da partilha.

Quando o Filho Pode Sacar?

Legalmente, quando completar 18 anos, o jovem pode acessar a conta de forma autônoma. Cabe aos pais introduzir, desde cedo, educação financeira para que ele saiba valorizar e utilizar esse patrimônio de forma inteligente.

Considere dividir o objetivo em metas:

  • Faculdade (18-22 anos): parte do capital pode cobrir mensalidades
  • Entrada de imóvel (25-30 anos): para ajudar no primeiro imóvel
  • Aposentadoria futura: investimentos em previdência que ele continuará sozinho

Falando em aposentadoria, vale comparar previdência privada e Tesouro Direto para decidir como alocar a parte de longo prazo dos recursos.

Conclusão

Investir para os filhos é uma das decisões financeiras mais importantes da vida de um pai ou mãe. O processo é legal, acessível e pode começar com valores pequenos. O segredo está na consistência: aportes regulares durante anos criam patrimônio de forma silenciosa e poderosa.

Escolha produtos adequados ao prazo (Tesouro IPCA+ e CDB prefixado para longo prazo), comece hoje mesmo e revise a estratégia a cada dois ou três anos conforme o objetivo evolui.

Perguntas Frequentes

Um bebê pode ter conta de investimento?

Sim. Com o CPF da criança e a documentação dos pais, é possível abrir conta em corretoras como XP e Rico desde o nascimento.

O dinheiro investido para o filho pode ser usado pelos pais em emergências?

Legalmente, esse dinheiro é do filho. Os pais podem administrar, mas usá-lo para gastos próprios configura uma espécie de desvio de patrimônio de incapaz, com implicações legais. Tenha uma reserva de emergência separada para eventuais imprevistos da família.

Precisa declarar o Imposto de Renda dos investimentos do filho?

Sim. Menores de idade devem constar como dependentes na declaração do IR dos pais, e os rendimentos são incluídos nessa declaração. Se os rendimentos do menor superarem o limite de isenção, pode ser necessária declaração separada.

Vale mais a pena poupança ou Tesouro Direto para filho?

O Tesouro Direto supera a poupança em todos os cenários de Selic acima de 8,5% ao ano. Em 2026, com Selic a 14,75%, a diferença é enorme: enquanto a poupança rende cerca de 7,4% ao ano, o Tesouro Selic rende ~14,5% líquido de IR em um prazo mais longo.

Existe limite de quanto posso investir em nome do filho?

Não há limite legal de investimento. No entanto, o FGC cobre até R$ 250.000 por CPF por instituição. Para valores maiores, diversifique entre diferentes emissores ou use o Tesouro Direto (sem limite de cobertura, garantido pelo governo).